JORNAL DO CENTRO DOS ESTUDANTES DE SANTOS - CES

n°01 - Março de 2008 - www.oestudante.org

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CAPA

Encontro de C.A.s

CENTRAL

Porque eu pulo as catracas
todos os dias

CONTRA-CAPA

Tirem as mãos
dos Direitos
das Mulheres

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Na pequena escada de entrada do CES, um menino reclama de dor no pé. Um caco de vidro cravara-se em sua sola direita. Contudo, ele não parece incomodado e, logo que o sangue estanca (com a ajuda de uma menina um band-aid), volta a trabalhar, esfregando o chão para retirar o limo do corredor externo da casa. Junto dele, outros 11 meninos e meninas dividem as tarefas do mutirão.

Este é uma cena comum nas ações de reconstrução do Centro dos Estudantes de Santos. Desde agosto do ano passado, nós, estudantes, estamos trabalhando na reforma da sede da entidade. O histórico casarão, situado na Avenida Ana Costa e em posse dos estudantes há mais de meio século, já fora palco das primeiras peças e ensaios de Plínio Marcos (quando ainda era vivo!) e esconderijo para militantes revolucionários no período da ditadura. Nos últimos anos, contudo, a casa deixou de ser um espaço alternativo de convivência e produção da juventude, para se transformar em mero galpão de “entulho político” variado. Era lixo pra tudo quanto é lado: sobras de campanhas de prefeitura, adesivos, faixas, roupas, colchões, comida apodrecida há 3 anos, apetrechos de cozinha, tijolos, sapatos, computadores oxidados, conchas de sorveteria, canudinhos, espirais, papelão… Salas com 40, 50 centímetros de lixo revirado. Quase não havia luz e um cheiro de esgoto aberto impregnava metade da casa. Este era o cenário que enfrentávamos na sede até três meses atrás. O abandono político da entidade podia ser percebido olhando para o velho edifício na Encruzilhada da cidade.

Já se somam seis meses de trabalho voluntário negando esta escuridão. Seis meses limpando a casa abandonada, melhorando sua infra-estrutura, instalando lâmpadas e ponto de luz, desentupindo ralos, melhorando a segurança, pintando, pendurando quadros e fotografias…

Um trabalho que transforma não somente os meninos e meninas que ali dividem tarefas de reforma e melhoria da sede, conhecendo aos outros e a si próprios, enfrentando opiniões distintas, dividindo experiências, conhecimento, lanches e jogos de futebol nos fundos da sede; esta reconstrução compartilhada da sede também vem transformando o CES em área coletiva de uso, produção de conhecimento material e intelectual, e em um espaço de formação e articulação anti-capitalista!

Dessa maneira, a sede do CES tem se transformado em uma casa solidária para o Comitê de lutas da Baixada Santista; para os saraus do Centro Acadêmico de Serviço Social da Unisantos; para os grupos políticos sem sede da cidade, para o MAR - movimento de oposição ao Centro Acadêmico de Direito da Unisantos; para atividades do Educafro; para os músicos de hardcore; para os entusiastas do cinema; para o DCE da Unisantos; para grupos de estudo como o Espaço Marx e o Círculo de Leitura Florestan Fernandes; para testes de transmissão de Rádio Livre dos ambientalistas, para os vegetarianos, para festas de ska, indie, reggae, HC…

Todos os coletivos que assumam para si a tarefa de querer transformar o mundo têm espaço nesta casa. E é isto que anunciamos: portas abertas, janelas abertas, pra que entrem todos! Não é mais possível permitir que a condição de vida da casa do CES esteja submetida meramente aos interesses das direções que para ele se elegem, sob vontades variadas, a cada dois anos, nos congressos da entidade.


SEABEAR:

THE GHOST
THAT CARRIED
US
AWAY

De um país em que os funcionários da prefeitura pedem autorização aos elfos para construir estradas não pode sair gente comum, que faz música comum. A Islândia é o berço da Björk e do Sigur Rós, que dispensam comentários. E também é lá, na sala de estar de uma casa em Reykjavik, que os sete integrantes do Seabear se reúnem despretensiosamente pra tocar banjo, ukulele, percussão e... glockenspiel, que não é bem um xilofone mas chega perto de ser.
Nesse clima de reuniões quase familiares, frio islandês e música folk nasceu o primeiro CD do Seabear, The ghost that carried us away. São 12 faixas coloridas e bonitinhas, algumas mais alegres, outras mais lentas, todas te dizendo que seu dia pode ser tão leve quanto elas.
Achá-lo por aqui não é tão simples, mas dá pra ouvir algumas músicas em www.myspace.com/seabear

Para começar a segunda-feira: Arms
Para ouvir com alguém: Cat Piano
Para pensar nas crises existenciais: Teenage Kicks e I sing I swim (trilha sonora de The science of sleep, de Michel Gondry).

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